Pushkar é um dos lugares continuamente habitados mais antigos da Índia e um dos mais fáceis de apreciar: pequena, percorrível a pé, barata e invulgarmente suave para o Rajastão. Este guia cobre o que é preciso saber antes de ir, e o que a maioria dos visitantes de primeira viagem gostaria de ter sabido.
Pushkar em resumo
- Onde: distrito de Ajmer, Rajastão, na orla oriental do deserto do Thar.
- Dimensão: cerca de 20 000 habitantes; atravessa-se a pé em meia hora.
- Famosa por: o lago sagrado e os seus 52 ghats, o mais importante templo de Brahma do mundo, e a feira dos camelos de novembro.
- Nota: a vila é vegetariana, sem ovos e sem álcool.
- Línguas: hindi e marwari; o inglês é muito falado no turismo.
O que ver
O lago e os seus ghats são o centro de tudo, e o guia dos lugares cobre tudo em detalhe. Em resumo: o templo de Brahma pela raridade, Savitri Mata ao nascer e Gayatri ao pôr do sol pelas vistas, o Sadar Bazaar para compras e cafés de terraço, o antigo templo de Rangji pela sua torre sul-indiana completamente deslocada, e as dunas para um passeio de camelo.
O lago sagrado e os ghats O lago de Pushkar e os 52 ghats
Um dos lagos mais sagrados do hinduísmo
Um pequeno lago verde cercado por 52 ghats de pedra e centenas de templos, formado — diz a tradição — onde Brahma deixou cair uma flor de lótus. Ao amanhecer e ao anoitecer os degraus enchem-se de peregrinos, sacerdotes, tambores e lamparinas à deriva.
Templos e locais sagrados Templo de Jagatpita Brahma
O principal templo do mundo dedicado a Brahma
Um templo de pináculo vermelho que é o santuário mais importante do mundo a Brahma, o criador — um deus que, caso único na trindade hindu, quase nunca recebe templos próprios. O chão de mármore está cravejado de moedas de prata deixadas por peregrinos.
Templos e locais sagrados Templo de Savitri Mata
O nascer do sol visto da colina
A primeira esposa de Brahma observa Pushkar do alto da colina de Ratnagiri, alcançável por cerca de 650 degraus ou por um curto teleférico. A recompensa é a melhor vista da região: o lago inteiro, os telhados brancos da vila e o deserto a correr para oeste.
Bazares e vida da vila Sadar Bazaar
A rua comprida que é Pushkar
Pushkar é no essencial uma única rua de bazar que acompanha a curva do lago, e é vila de comércio há tanto tempo quanto é vila de peregrinação. Prata, algodão estampado à mão, couro de camelo, marionetas, produtos de rosa — e os melhores cafés de terraço do Rajastão.
Etiqueta em templos e ghats
Esta é uma vila de peregrinação em atividade, não um museu, e um pouco de cuidado muda imenso a forma como é recebido.
- Descalce-se antes de pisar qualquer ghat ou entrar num templo. É melhor deixar também os artigos de couro — cintos, malas, carteiras.
- Cubra ombros e joelhos. Um lenço é útil nos templos e indispensável no Dargah de Ajmer.
- Peça antes de fotografar pessoas, e nunca fotografe quem se banha ou reza sem autorização clara.
- Não aponte as solas dos pés a um santuário ou a uma pessoa, e use a mão direita para dar e receber.
O «passaporte de Pushkar» — e como dizer que não
O único incómodo persistente de Pushkar: alguém aborda-o junto aos ghats, põe-lhe uma flor na mão e oferece uma bênção. Segue-se uma puja curta, depois pressão firme para doar uma quantia alta «para o templo», e um fio vermelho atado ao pulso — o chamado passaporte de Pushkar. Sacerdotes verdadeiros fazem mesmo pujas nos ghats e a prática é real; o esquema é o «donativo» fixo e imposto. A defesa é simples: não aceite a flor. Um «não, obrigado» educado e sem embaraço antes de lhe porem seja o que for na mão acaba com aquilo de imediato.
Comer numa vila totalmente vegetariana
Sem carne, sem ovos, sem álcool — e comida verdadeiramente excelente, ainda assim. Prove o dal baati churma, o prato do Rajastão de bolas de trigo assadas com lentilhas e trigo partido adoçado; o gatte ki sabzi, bolinhas de farinha de grão em caril de iogurte; os kachoris de uma banca de rua; e o malpua ou o rabri para a sobremesa. Os cafés de terraço do bazar servem de tudo, de thalis a comida israelita e italiana surpreendentemente boa — herança de décadas de viajantes de longa duração.
Um aviso que vale a pena repetir: «special lassi» significa bhang lassi, uma preparação de canábis legal e vendida abertamente aqui. É muito mais forte e muito mais lenta a fazer efeito do que os principiantes esperam. Se experimentar, peça o tamanho mais pequeno e não planeie nada para o resto do dia.
Roteiros de exemplo
Uma noite: chegue à tarde, percorra o bazar, suba à colina de Gayatri para o pôr do sol, e faça a caminhada ao anoitecer para a Mahaarti. Na manhã seguinte, Savitri Mata ao amanhecer, o templo de Brahma depois do pequeno-almoço, e saída ao almoço.
Duas noites (recomendado): o acima, mais um segundo dia completo — safári de camelo às dunas ao fim da tarde, templo de Rangji e as ruelas mais sossegadas do norte de manhã, e um almoço demorado num terraço.
Três ou mais: acrescente meio dia em Ajmer para o Dargah, uma aula de ioga, e uma viagem a Chittorgarh ou Jodhpur.
Dinheiro, ligação e práticas
- O numerário conta. Muitas lojas pequenas, rickshaws e guarda-calçados só aceitam dinheiro, e as caixas automáticas secam na semana da feira.
- O UPI é muito aceite com números indianos; os cartões estrangeiros funcionam de forma irregular fora dos hotéis.
- Os dados móveis funcionam bem. Vale a pena um cartão SIM indiano logo à chegada ao país.
- A água da torneira não é potável. Há cada vez mais pontos de recarga de água filtrada — melhor do que comprar garrafas.
- As farmácias ficam no bazar principal; o hospital completo mais próximo é em Ajmer.
Dicas para poupar
- Viaje fora de novembro. A semana da feira custa várias vezes mais pelo mesmo quarto.
- Fique no centro histórico em vez de num resort e não precisará de transporte nenhum.
- Coma onde o thali está escrito num quadro em vez de numa ementa — é melhor e uma fração do preço.
- As caminhadas guiadas em Pushkar custam poucos euros; são o melhor guiamento por preço do Rajastão. Veja a nossa seleção.
